Eu falo
tu ouves
ele cala.
Eu procuro
tu indagas
ele esconde.
Eu planto
tu adubas
ele colhe.
Eu ajunto
tu conservas
ele rouba.
Eu defendo
tu combates
ele entrega.
Eu canto
tu calas
ele vaia.
Eu escrevo
tu me lês
ele apaga
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Fumo
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Florbela Espanca
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello
Conheci Thiago de Mello por meio de um professor muito querido que não vejo há algum tempo. E hoje o dia me lembrou este poema. Sei que ando postando textos longos aqui, mas vale a pena ler até o final... é lindo!
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
domingo, 9 de agosto de 2009
Taxista carente
Sexta à noite, ao entrar em um táxi após uma saída não muito feliz, encontro um taxista carente de atenção. Era tudo o que eu precisava para fechar meu dia bem. Entrei no carro, dei o endereço e fiquei calada. Não queria conversar sobre o tempo, trânsito, mercado de transportes e nem gripe suína. Mas eis que o senhor fulano resolve falar...
_ O que que tava acontecendo ai?
_ Um encontro de estudantes de História.
_ Ah, daqueles que quem sabe mais fala mais que os outros?
Pensei. Entendi.
_ Um seminário, congresso...é isso que o senhor quer dizer?
_ Isso, que tem palestras.
_ É isso sim.
E voltei à minha caverna esperando sossego. Mas ele insistiu.
_ Você faz História?
Pensei novamente. Ainda bem que a gente pensa, pensa muito...
_ Não, estudo Comunicação.
_ Comunicação é aquele trem de jornalismo?
Céus...vamos lá para a parte mais difícil....
_ Jornalismo é uma das áreas da comunicação. São basicamente três: Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Eu faço Relações Públicas.
_ E o que é esse trem de Relações Públicas?
Fiquei apavorada. Tento há quase três anos explicar para meus pais o que faz um relações públicas e eles ainda não entenderam bem. Agora eu teria que explicar em alguns minutos àquela alma falante antes que ela fizesse alguma terrível alusão a minha futura profissão...
_ Nós estudamos gestão de relacionamentos (o que eu estou falando...?). A gente percebe quem são os públicos para uma ação de comunicação e trabalha de maneira específica. Posso trabalhar em empresas, hospitais, escolas, tv...e sempre conto com o trabalho das outras áreas.
_ Ah, entendi.
Duvido, não expliquei nada para ele...
_ E vocês estudam geografia, história..?
_ Sim, basicamente essas duas e português. O curso é da área de humanas.
_ Ah, então é fácil. Num tem física, química, matemática...
Claro que é fácil! Entender as pessoas, dirigir-se a elas é MUITO FÁCIL. Difícil é fazer ponte, porque ela fica dando palpite na estrutura, deturpa o projeto...
_ Eu tô perguntando porque eu separei agora. E quando a gente separa, fica meio deprimido, sabe?
_ Aham, sei...
_ Ai falei com minhas filhas que vou fazer faculdade.
_ Ah sim, muito bom! Faça mesmo, ocupar um pouco a cabeça, começar uma nova atividade...
_ Eu tô muito triste.
_ Olha, não fica assim não. Minha mãe quando separou também ficou triste, todos ficamos. Hoje ela está muito bem, estuda Direito...forma no próximo ano.
Chegamos.
_ Quanto deu?
_ R$ 16, 80.
O telefone toca e logo ele desliga, antes de me dar o troco. Segundo o taxista, o papo - lê-se monólogo - estava bom. E após ficar mais uns cinco minutos aconselhando o pobre homem, passando endereços para que ele conseguisse bolsas de estudo e invocando Deus para abençoar a vida, saí do carro pensando no porquê de eu não ter feito psicologia e ainda não ter entrado para alguma igreja...
domingo, 7 de junho de 2009
Aprendizado
Estou aprendendo a enterrar amigos,
coros conhecidos, e começo as lições
de enterrar alguns tipos de esperança.
Ainda hoje
sepultei um braço e um desejo de vingança.
Ontem, fui mais fundo;
sepultei a tíbia esquerda
e apaguei três nomes da lembrança.
coros conhecidos, e começo as lições
de enterrar alguns tipos de esperança.
Ainda hoje
sepultei um braço e um desejo de vingança.
Ontem, fui mais fundo;
sepultei a tíbia esquerda
e apaguei três nomes da lembrança.
Affonso Romano de Sant'anna
sábado, 6 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Natural - Volver

Folheando as páginas da Revista Bravo! do mês de março, conheci Volver, banda pernambucana que atua no cenário independente desde 2003, e desde então me encantei com este som! Melodias leves e letras poéticas formam a combinação perfeita para quem gosta de algo novo e de bom tom. "Natural', uma das onze canções do CD "Acima da Chuva" , está entre as minhas preferidas. Aproveitem o som!
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